IMPORTANTES DETALHES COTIDIANOS DA HISTÓRIA.

José de Almeida Bispo, 12 de Novembro, 2023

Faleceu ontem, 11 de novembro um amigo de longas datas; em verdade um amigo da minha família paterna, bem antes que eu nascesse: Nivaldo Góis dos Santos, mais conhecido por Nico Bocaina e Nico de João do Volta.
Nascido em 18 de março de 1942, portanto ainda uma criança, de 81 anos. Apenas. Bem vividos; mas a vida, especialmente a nossa e dos nossos entre queridos, sejam eles, parentes ou amigos, sempre será curta, no nosso entender.
Quando eu nasci, Nico estava saindo da adolescência e um às na pelota.
Foi um dos reforços usados pelo meu pai, misto de fundador e presidente do time do Mangabeira Futebol Clube, criado por volta de 1947, para o sacrifício do mangabeiral do Tabuleiro dos Mosquitos, nome original da hoje charmosa Praça Alexandre Frutuoso Bispo, do povoado Mangabeira, sul do município de Itabaiana.
O lugar tinha história; sempre esteve na História. Por ali passaram todos os aventureiros em busca de ouro e prata dos séculos XVII e XVIII na Itabaiana. Desde o governador-geral, D. Luís de Sousa, 1º Conde do Prado, acompanhando Melchior Dias Moreia, em 16 de julho de 1619, a Sigismund van Schkoppe e sua tropa holandesa, que isso registrou em esplêndido mapa de 1646; e possivelmente D. Rodrigo de Castelo Branco, em 1674.
Mas em 1947, era apenas o Tabuleiro dos Mosquitos, no povoado Mangabeira.
Também treinador e de vez em quando juiz (era assim mesmo. Risos!), valendo-se da profunda amizade, desde os troncos - João do Volta e Zé de Bonfim, esse, meu avô - muitas vezes meu pai convocou o reforço dos dois irmãos - Nico e Zé Bengala - com que impôs aos adversários severas derrotas nas quatro linhas, em geral comemoradas, depois, em bebedeiras e brincadeiras entre vencedores e perdedores. Sendo assim, conheci as famas, antes de conhecer os atores delas, nas memoráveis histórias a mim contadas na infância pelo meu pai.
As partidas, contava-me meu pai, eram concorridíssimas. A assistência às vezes chegava a quase cem pessoas. Naquele tempo em que a diversão era escassa, deve ter sido mesmo momentos memoráveis. Eu não presenciei: crianças e mulheres, geralmente eram proibidas em diversão de homens.
Mas era raro se encontrar craques entre aqueles trabalhadores rurais, de sol a sol. Mesmo em se tratando de bem menos gente da que hoje, uma vez por ano, se engalana, treina, ensaia extenuada e aplicadamente para ser um, das dezenas de personagens da Paixão de Cristo; ou até um humilde figurante, todos amadores; todos com afinidade total em representar seus personagens. Logo, para tais reforços qualificados – na década de 1950 - eram usadas as amizades, especialmente quando enfrentava um tão aguerrido time de Pedrinhas, hoje município de Areia Branca.
Alguns anos atrás acabei sendo colega no trabalho da filha de Nico, a biomédica Valéria, o que nos conduziu a um maior estreitamento da amizade, surgida quando meu avô amarrou sua montaria pela primeira vez, acredito que no Beco da Jaqueira, de fato uma estrada real antiquíssima, do começo de Sergipe, e de Itabaiana, hoje Rua Manoel Garangau. Na vivenda de João do Volta, hoje parte do Supermercado Nunes Peixoto. Logo, amizade surgida antes mesmo de Nico, nascer em 1942; e eu, em 1959.
Ide em paz, meu amigo. E que Deus o acolha em Sua eterna glória.

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