ETERNA BREVIDADE DO TEMPO

José de Almeida Bispo, 06 de Dezembro, 2023 - Atualizado em 07 de Dezembro, 2023

Em 19 de outubro de 2018, com a reporter Taís, e Maria Helena Silveira, no 1º Expo-Indústria

Durante nossas vidas pessoas entram e saem delas, das mais variadas formas.
Tem as engraçadas; as sem graça nenhuma, e até as desgraçadas.
Tem as interessantes; que buscamos sempre estar por perto; que nos acolhem; nos faz sentirmos seguros. E tem aquelas que suportamos num mesmo nível de um pum fedorento e a até as que nos são literalmente danosas.
De tudo no mundo há, como dizia um meu tio-bisavô, Zé de Mera (Zé de Amélia) do São José.
O fato é que de vez em quando a vida nos revela, mais uma vez, a realidade da sua brevidade e a danada da saudade que isso evoca.
Uma revelação do amigo e atual chefe na Secretaria Municipal de Cultura, porque seu secretário, Antônio Samarone Santana me levou à sensação pela qual já tinha passado.
Estou em um projeto, chancelado pela supracitada Secretaria, de reviver em vídeo, o histórico de nossas ruas, praças, avenidas etc., que homenageiam nossos personagens públicos, homens e mulheres, tenham sido eles detentores de cargos no Estado (Município, Estado ou União), ou grandes prestadores privados de serviço público. E José Mesquita da Silveira, insofismavelmente é um destes.
Só que, ao comentário de Samarone, eu não me manifestei; porém faço-o aqui. Disse-me ele: “Já pensou se a saudosa Maria Helena Silveira ainda estivesse entre nós pra ver isso?”
Maria Helena Silveira, Maria Helena do Cartório, foi uma mulher à altura do pai que teve: Zeca Mesquita.
Dinâmica, inteligentíssima, refinada, porém despojada de qualquer espécie de frescura, visão de águia, sensibilidade e rebeldia na medida certa para, por exemplo, dar um drible muito bem dado nos trogloditas de coturnos de 1970, e viabilizar uma candidatura alternativa, que veio a ser a vitoriosa naquelas eleições municipais. Sabia onde o cão dormia. Corajosa e determinada, fez do seu sorriso tranquilo uma marca de cordialidade, sem perder a firmeza de propósitos e o destilar de refinada ironia, quando necessária. Uma mulher além do seu tempo, nesse caso, ao menos na primeira fase da vida. E que tinha verdadeira adoração pelo pai que tinha, que modéstia à parte, é também um dos meus heróis locais.
Comandou com maestria, por 55 anos o cartório, inicialmente dado de presente em 16 de junho de 1700, ao mensageiro real de D. Pedro II (o de Portugal), João Manuel do Cabo.

Abro um parêntesis para lembrar que João Manuel do Cabo foi um dos repatriadores da rainha da Inglaterra, Catarina Henriqueta de Bragança, que, quando viúva, além de lhe ser negado a realeza inglesa plena, ainda se viu em insegurança nos palacetes de Londres. E o Queen, bairro nova-iorquino em sua homenagem, claro, além de muito longe, não a acomodaria. Voltou ao velho Portugal.
João Manuel do Cabo, a transportou em segurança pela Espanha, onde desembarcou de volta, até sua quinta, em Vila Viçosa, onde faleceu em 31 de dezembro de 1705.
Igual a Samarone – e de certo modo foi isso que senti na mensagem trocada com a Dra. Deyse Silveira, sua sobrinha - ao finalizar essa trivial lembrança de Zeca Mesquita, senti certo aperto em não poder compartilhar com sua filha, minha saudosa amiga Maria Helena Silveira, a quem aprendi a admirar tanto quanto seu grande pai.
Valeu por terem existido, pai e filha.

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