A VOCÊ, MAMÃE

Jerônimo Nunes Peixoto, 07 de Maio, 2020 - Atualizado em 07 de Maio, 2020

A VOCÊ, MAMÃE

Em reflexão profunda sobre o sentido da vida humana, nestes tempos conturbados e ameaçadores, sobrevém-me à mente a imagem da MÃE, como fundamento e guia de todo o humano existir. Em primeiro, pela inevitável dinâmica biológica; em segundo, por uma espécie de amor incondicional, não identificado noutros seres, nem mesmo nos pais, apesar de estes amarem também de modo indizível. É amor divinal!

Por mais que a crença (ou a descrença) conduza o ser humano a um fim inusitado, desconhecido e feliz, ou à quimera simples e destituída de sentido, na origem da vida, necessariamente encontra-se um esteio firme, intrépido, capaz de resistir às intempéries climáticas, às desigualdades sociais, aos preconceitos, à condição servil. Para isso não é preciso invocar a religião. Basta constatar quão imenso é o amor maternal, que a tudo vence, a tudo supera. Se se coloca um trago de fé – independentemente do segmento religioso que se tenha – de pronto percebe-se que a forma concreta de amor que mais se assemelha ao da divindade é o amor de mãe.

Trata-se de um amor puro, sincero, sem meios termos, sem fingimentos, sem desculpas. O amor materno é exigente demais. Faz a mãe desgastar-se, definhar, esvair-se, para manter acesa a chama da vida dos filhos ou filhas. É amor-doação, entrega plena, que ultrapassa a esfera das expectativas humanas. Para além de toda e qualquer definição, encontra-se essa modalidade de amor. E exige muito pouco ou quase nada. Não é ensimesmado, nem preconceituoso, nem eliminatório. É simplesmente amor, gratuidade! É amor-empatia que se permite o tempo todo assumir o lugar do outro, dos filhos!

Claro! Há mães que não se prepararam para essa condição. Há aquelas que não tiveram chances, seja por força do preconceito, por medo de total rejeição, ou por impossibilidade econômica. Houve uma época infeliz em que conventos eram casas de acolhida de crianças, recém-nascidas, cujas mães eram obrigadas a ali deixá-las sob imperioso sigilo, para que a “boa fama” de certos nobres não fosse arranhada. Infeliz imposição machista e contrária à dignidade materna e filial! Mas, não se pode macular a mãe. Ela, por amor ao filho que gerou, se obrigava a tal condição, pois seria melhor que a criança fosse ao orfanato do que ser perseguida e morta pela outra parte.

Há ainda, as mães imersas no submundo da miséria, das drogas... não têm condição alguma de alimentar, de educar, de acompanhar o(s) filho(s) para a cidadania. São escravas, subproduto, de uma sociedade perversa, permissiva e, a um só tempo, excludente, cruel e tirana. Há, doutra parte, aquelas que, mesmo em meio a vexatórias e degradantes situações, de tudo fazem para ver seus filhos crescerem, ao menos com o amor maternal, da forma que o compreendem. Por vezes, um amor demonstrado de forma diferente, mas continua sendo, na intencionalidade do ato, amor maternal: são mães que vivem na extrema pobreza, que se negam a comer, para dar os restos de outrem a seus filhos; mães que passam o dia inteiro dizendo ao filhinho: mãe não sente fome, nem sono, sem cansaço... Pois bem! A mãe apenas ama!

Às MÃES FALECIDAS:

MÃE, onde quer que eu esteja, sou capaz de reproduzir, na enigmática força da memória, os seus gestos de ternura, de carinho, o sabor do seu “chá para sarar o ouvido”, o seu cheiro e a sua voz. Tenho a impressão de que está aqui, pertinho, aconselhando-me, puxando minhas orelhas, indicando-me o melhor caminho. Aliás, sempre fez isso, porque sua intenção era a de nos ver felizes, realizados e bem-sucedidos. E está mesmo! Porque, estando em Deus, tem um novo modo de se fazer presente em toda parte. Sem que possamos vê-la, vai-nos orientando o existir, pela intercessão maternal ao Senhor da Vida. PARABÉNS A TODAS AS MÃES, POR ESSE AMOR ESPECIAL QUE REVOLUCIONA O MUNDO E NOS FAZ VERDADEIRAMENTE HUMANOS!

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