SERGIPE É O PAÍS DO FORRÓ

Carlos Braz, 26 de Junho, 2022 - Atualizado em 26 de Junho, 2022

 

SERGIPE É O PAÍS DO FORRÓ

Por Carlos Braz 

O mês de junho aproxima-se do fim, e com ele o esplendor das fogueiras que aquecem as frias noites e em torno das quais gira um mosaico de tradições seculares, entre elas o céu iluminado por fogos de artifício. A festança é a mais legítima das nossas manifestações populares, que com o passar dos tempos transformou-se em um grande evento multicolorido, que movimenta milhões de reais, dinamizando a indústria do turismo, gerando renda para diversas atividades comerciais, como alimentação, transporte, artefatos de couro e tecidos, bijuterias e tantos outras.

Contudo, a cultura como produto social proporciona uma troca de valores, que sempre provoca um debate caloroso entre conservadores e modernistas, cujo foco é o processo de perda da essência dos folguedos historicamente construídos. O risco de extinção muitas vezes é usado para justificar as mudanças que ocorrem ocasionalmente nesses folguedos. Podemos atestar essa assertiva ao observamos as transformações ocorridas na tradicional quadrilha junina, de origem tipicamente rural, com personagens característicos como o matuto, o vigário, o cangaceiro, o coronel dono das terras e das almas, a seca nordestina e coisas afins.

Hoje os trajes modestos foram substituídos por uma indumentária repleta de cores e brilhos que deslumbram aqueles que assistem suas apresentações em rede nacional de televisão, bem como os nativos e turistas,  que comparecem às apresentações e torneios que acontecem em todos os rincões do Estado de Sergipe.

O viés teatral também encontrou lugar no espetáculo, contribuindo para o formato que se firmou ante as exigências da indústria cultural que obtém alto retorno financeiro, através de uma teia de empresas envolvidas em um processo de manipulação e globalização dos costumes.

Ao lado da santíssima trindade do forró pé de serra, triangulo sanfona e zabumba, agora foram acrescentados teclados e instrumentos de sopro. Ao mesmo tempo surgiram novos ritmos alcunhados de forró, que em nome da diversidade nacional ocuparam generosos espaços na mídia, alcançando aprovação pelo publico ouvinte, principalmente entre os mais jovens. 

Acima desses valores profanos e interesseiros, ainda impera a força poderosa da religiosidade através do culto aos santos católicos Santo Antônio São João e São Pedro, que é a matriz dessa engrenagem multicultural, que envolve milhares de pessoas por todo o país, inclusive aqueles que residem em estados do sudeste e sul, onde a tradição perdeu espaço ante o o cotidiano urbano das grandes metrópoles.

Dessa forma o forró, as quadrilhas e outras manifestações deste período  renovam-se, esforçando-se em alguns casos para manter a essência,  e apesar das divergências estabelecem-se como identidade cultural da região norte e nordeste do Brasil, fortalecendo o legado herdado do inigualável Luiz Lua Gonzaga, o rei do baião, que com sua genialidade apresentou ao sulista o modo de ser nordestino, sofrido pelas agruras da natureza, mas que traz dentro de si sentimentos como o amor a terra, a sua gente e seus costumes, abrindo as portas para centenas de outros que enveredaram pelos caminhos da música regional de qualidade.

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