“DIÁRIO DE UM CORONA” ( por Gabriel Gomes )

Gabriel Gomes, 13 de Abril, 2020 - Atualizado em 13 de Abril, 2020

 “Nunca na história desse país”... Não! Não vou iniciar esse artigo com tais palavras, não quero que pareça um dispositivo político, mas sim, para muitos, inclusive eu, nunca essa frase fez tanto sentido como para o momento em que vivemos.

De fato, a vida de todo mundo deu uma girada de 180º deixando o mundo ao avesso, mas aqui no nosso país, aquela retórica de ”o povo brasileiro é diferente” se confirma cada vez mais. Não falo apenas na mudança de hábitos e do estilo de vida ao qual estávamos acostumados e que abruptamente nos foi tirado, mas principalmente nas relações pessoais com amigos, colegas de trabalho e família.

Além de debilitar nossa saúde e devastar a economia de um país, o grão-tinhoso, mais conhecido como corona vírus, tem feito coisas inimagináveis nas pessoas, ele consegue dividi-las como nenhuma eleição na história desse país jamais conseguiu. Chega a ser kafkiano.

Sempre fui controverso em minha vida, um contestador nato, faço aqui uma “mea-culpa”, tive muita dificuldade em aceitar o contraditório em várias situações, tratava até com certa intolerância, hoje acho que melhorei, mas até pra mim que tenho know-how com o “não aceitar o contraditório”, fico perplexo com o que estamos vivenciando.

Entrando mais profundamente no problema, percebemos a quantidade de especialistas em tudo que está no nosso entorno ou que convive conosco, inclusive nós mesmos, as pessoas simplesmente não aceitam nada que não esteja de acordo com algo pré estabelecido, e de forma despretensiosa, se você não for capaz de seguir aquele senso comum, é tratado como um leproso era tratado na idade média. Isola-se!

Alguns dias atrás, alguém questionou se eu estava apavorado, respondi que não, se eu estava desacreditado, respondi que talvez, se eu estava com MEDO...
Talvez, naquele momento de silêncio ao não responder ao último questionamento, tenha encontrado naquela palavra a resposta para minha perplexidade demonstrada no início do texto.

Enfim, sigo aqui em meu enclausuramento compulsório, aderindo as determinações, na medida do possível, e lendo tudo sobre tudo, para lá na frente não cometer esse equívoco de ajuizar as pessoas apenas por terem entendimentos diferentes daqueles impostos como verdade absoluta.

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