EQUAÇÃO DA QUARENTENA ( por Manoel Moacir Costa Macêdo )

Manoel Moacir, 08 de Maio, 2020 - Atualizado em 08 de Maio, 2020

Sociólogos, antropólogos, economistas, psicólogos, psicanalistas e profissionais da saúde entre outros, em breve estarão debruçados sobre uma robusta base de dados da “pandemia do coronavírus - a Covid 19”. Comparações não faltarão. Ganhos e perdas avaliados. Dúvidas investigadas. Respostas aguardadas. As consequências da “quarentena” exigem fidedignidade nas informações. Decisões aguardam informes com acolhimento científico. Não serão aceitos os “achismos”. Em análise a vida das pessoas. O bem mais valioso da existência. Descartam-se as disputas e radicalismos partidários, ideológicos e oposição versus governo. Rejeita-se a divisão binária entre economia e saúde. A vida é uma suprema unidade.

A crise sanitária agrega os cuidados com a saúde, como um valor moral. O Estado tem o dever de cuidar das pessoas e acudir os vulneráveis. Inaceitável tratar as dores e sofreres como consentidos números de mortes. Todos merecem viver. O justificado é o esforço continuado pela vida. Na tomada de decisão, serão esperadas respostas à questão: como as pessoas estão reagindo às privações da quarentena? Estudos demonstram que o ócio causa ansiedade. O ser humano tem necessidade de ser produtivo.

Existe uma dicotomia entre a “quarentena da maioria e da minoria”. A segunda, aqui chamada de uma “senhora quarentena”. A enorme desigualdade social aparta as quarentenas entre iguais e desiguais, os mais e os menos. Exceção aos funerais que são únicos na pós-materialidade. Somos viventes num território “abençoado por Deus”, mas desigualmente partilhado entre os que apodrecem no abandono, como se nada fossem e os distinguidos na abundância, como se tudo pudessem.

Realidade expressa no imaginário “caso exploratório de uma quarentena”, manifestado na presumida equação de quarentena: Quarentena (Y) = Variáveis Internas (X1) + Variáveis Externas (X2). Universo das ações humanas em “quarentena”. Variáveis internas, as do ambiente de reclusão. As externas, fora dele. Não se trata de formular uma “teoria da quarentena”, mas de um exercício utópico, a partir do mundo real.

A soma das variáveis será agrupada na “Escala Crescente de 0 a 5”, onde 1= Péssimo e 5 = Excelente. As variáveis serão quantificadas por vinte “indicadores internos e externos”. Algumas premissas são assumidas na quarentena: “as empregadas domésticas dispensadas, as orientações sanitárias aceitas, a sobrevivência contemplada e o isolamento social assumido”. “Indicadores Internos: louças quebradas, comida queimada, roupas manchadas, faxinas efetuadas, ganho de peso, horas de leitura, programas de televisão, atividades físicas, conflitos e expressões de amor.

Indicadores Externos: colóquios virtuais, contatos por mídias, lives, práticas religiosas, tele trabalho, cursos on line, compras por deliveries, saídas externas, socorros médicos e custos financeiros”.

Os resultados serão comparados na referida escala. “1= Péssimo [Melancolia - Troféu Auxílio Alimentação]. 5 = Excelente [Reclusão - Medalha Senhora Quarentena]”. O esperado é “3 = Média ou 4 = Adaptados. Para esses nem auxílio alimentação, nem santa quarentena, mas os Otimistas” - adaptáveis às privações. Acudir com zelo as extremidades.
Rejeita-se o mantra de que a Covid 19, mudará a humanidade. Descarta-se o marco “antes e após ela”. O orgulho, o egoísmo, o consumismo, a desigualdade, a acumulação, o materialismo e a “banalidade do mal”, não se extinguem num tempo curto e seletivo entre desiguais e sob diferentes restrições.

Haverá sim, uma reflexão global. Nova governança planetária será proposta. O transformador, será reformar primeiro a si, após o próximo, a seguir o distante e ao final a humanidade. Tragédias recentes no tempo da humanidade, não regeneraram o planeta. O “holocausto nazista” dizimou seis milhões de humanos, apenas por serem judeus. O “holocausto negro”, a escravidão, dizimou mundo afora mais de vinte milhões de criaturas, apenas por serem negras. A Segunda Guerra Mundial assassinou vinte milhões de irmãos terrenos por disputas políticas e econômicas. Entre outras tragédias em curso.

Equação, variáveis, indicadores e argumentos postos. Resta a reforma íntima e o bem comum. A “pandemia do coronavírus” ameaça todos, mas, com as suas diferenças e graduações. Generosos rumos no curto prazo são utópicos para o bem-viver na brasilidade cristã, fraterna, tropical e mensurada na escala humanitária, justa e solidária.




Manoel Moacir Costa Macêdo
Engenheiro Agrônomo e Advogado

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