INDEPENDÊNCIA OU MORTE!

Por Jerônimo Peixoto

Jerônimo Nunes Peixoto, 07 de Setembro, 2020 - Atualizado em 07 de Setembro, 2020

INDEPENDÊNCIA OU MORTE!

 

ÀS Margens do Ipiranga, ouviu-se o grito que se tornou célebre, posto que simbolizava o rompimento definitivo com Portugal, passando a ex-colônia à condição de Estado, autônomo, livre e soberano, capaz de se impor perante às demais nações em pé de igualdade. Estaria o Brasil Independente politicamente da Coroa Portuguesa, inserido no rol dos estados livres, dono de seu próprio destino...

Mesmo atabalhoada, como conta a autêntica história, capaz de enxergar as tramas dos poderosos, que pretendiam continuar no poder, como uma questão de sobrevivência e de garantia de seu “Status”, a separação de Portugal ensejou aos brasileiros certo orgulho de pertencer a uma nova brasilidade nacional, sem a canga de um dominador. Essa ideologia prosperou a te certo ponto, dando orgulho nacional á brava gente brasileira, sem “temor servil”.

Temor Servil! Este passaria a outras nações, sobretudo à Inglaterra que ajudou o Brasil a se desvencilhar de seu antigo dominador. Daquela hora em diante, os ingleses haveriam de tomar a dianteira nos rumos do novel País e lhe ditaria o ritmo econômico, a balança de importações dos produtos ingleses, além de intentos de dominação e outros povos, conforme se verá, cerca de quarenta anos mais tarde, com a Guerra do Paraguai.

Preço altíssimo pago à custa de muito suor e de muito sangue vertidos pelos pobres, a plebe que continuaria expressamente submissa e escravizada até os tempos atuais. As tributações haveriam de continuar minando as Minas, ceifando o Café e a Cana, manchando de dor e de sofrimento o penoso lavor nas fazendas e nos veios de ouro. Quem trabalha deve se esfolar para sustentar uma elite, indolente, nociva, improdutiva que sempre fez parte das famílias que dominaram a Terra de Santa Cruz.

Ainda hoje, os cortes, os “remédios” recaem sobre os trabalhadores, gente que faz o Brasil se mover. Desde a dominação portuguesa até os tempos atuais, é o povo, a gente simples, quem “paga o pato”, que põe o guizo no gato, quem se esvai, na esperança de quem futuro melhor virá. Aumentam-se os tributos, encolhem-se os direitos adquiridos, com trapaças deslavadas, mas as grandes fortunas permanecem intocáveis, pois pertencem a grandes famílias de sangue nobre, que não podem ser incomodadas nem afrontadas. Se se zangarem, o Brasil para. Já os pobres, não tendo outro jeito, passam fome, deixam de vestir, passam a viver nas ruas, tornam-se retirantes, expõem-se a vírus e bactérias variados, mas têm de cumprir o penoso dever de manter uma meia dúzia de banqueiros, de megaempresários (mantenedores dos piores políticos no poder).

Independência ou morte! Belo engodo, numa trama bem arquitetada que ainda hoje é capaz de iludir, ludibriar aqueles que deveriam ser livres, pela honradez com que historicamente sustentaram e sustentam o peso da “MÁQUINA” da liberdade. A brava gente brasileira continua repleta de temor, pelas sevícias com que é tratada, ao chegar a um posto de saúde e não encontrar o básico; de não ter acesso a um procedimento cirúrgico mais complexo; de não ter direito de morar, de estudar, de lazer. Os salários são insuficientes. Não pode essa gente experimentar o “bem bom” reservado àqueles que continuam vociferando pela manutenção do Status. Para boa parte dos brasileiros, nunca houve independência. Morte, entretanto, é vizinha e companheira, com nome, sobrenome e endereço. Mora no barraco ao lado, debaixo da mesma ponte ou sob o mesmo teto de papelão. Que país livre é este, se sua gente é eternamente escravizada?

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