A COP 26 É HOJE por Manoel Moacir Costa Macêdo

Manoel Moacir, 29 de Outubro, 2021 - Atualizado em 29 de Outubro, 2021


A pandemia da Covid-19, revelou em “dores e expiações” o maltrato com a Terra, o planeta que nos acolhe para a vida reencarnada como humanidade. Entre às premissas do surgimento do coronavírus, avultam as agressões ao meio ambiente, o desequilíbrio dos ecossistemas e da vida silvestre.

Essas contingências assentam a relevância da COP26 - Conferência entre as Partes, da Organização das Nações Unidas - ONU para a Mudança Climática. A COP1 aconteceu em 1995. Essa será a vigésima sexta conferência, por isso, a sigla COP26. O encontro será em Glasgow, na Escócia, de 31 de outubro a 12 de novembro. Continuidade da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas - COP21, realizada em Paris em 2015, quando 195 países e a União Europeia se comprometeram “a deter o aumento da temperatura do planeta abaixo dos 2ºC, e ajudar economicamente os países mais vulneráveis ao aquecimento global”. O esperado alinhamento das grandes potências frente à mudança climática

Aquecimento global, desmatamento, extinção de espécies, mudança climática, enchentes, incêndios, crise hídrica, furacões e tsunamis, aguçam o interesse da humanidade pela COP26. A vida está em perigo. Alguns estragos à natureza são irreversíveis. Na pauta não estão os temas restritos à intelectualidade e à “esquerda raivosa”, mas os assuntos urgentes à sobrevivência humana. A COP26 irá priorizar a substituição dos combustíveis fósseis, a eliminação do carvão vegetal, a redução do desmatamento e a proteção das pessoas aos efeitos adversos do clima. Serão enfatizados o uso da terra, a proteção das florestas e a sobrevivência das populações tradicionais.

As tensões advindas da mudança climática na Terra, ultrapassam os grupos historicamente engajados na problemática ambiental como as ONGs, ecologistas e partidos verdes, entre outros rotulados como “aloprados e esquerdistas”. O mundo do capital chamou os “feitos à ordem”. Os investimentos atentam para uma economia de baixo carbono. O mercado de capital, contemplou os investimentos para os ativos financeiros, no chamado em inglês de ESG. No idioma pátrio, o meio ambiente, a sociabilidade e a governança.

A COP26, antecedida pelo Acordo de Paris, pautará como prioridade o mercado voluntário de créditos de carbono. Isto quer dizer, a “negociação com empresas ou governos que não possuem as metas obrigatórias de redução de gases de efeito estufa - GEE, mas desejam compensar o impacto ambiental das suas atividades”, através dos Sistemas de Comércio de Emissões (Emissions Trading Systems – ETS), os conhecidos créditos de carbono. A regulação global do mercado de carbono.

O Brasil no passado foi um influente ator nos fóruns mundiais sobre a redução do desmatamento e a proteção da biodiversidade. Na COP26, ele será um acuado coadjuvante. O País não cumpriu os compromissos assumidos com o meio ambiente. No setor agrícola, florestal e do uso da terra, permanecem pendentes a implantação do Código Florestal em âmbito federal, estadual e municipal, zerar o desmatamento ilegal na Amazônia brasileira e compensar as emissões de gases de efeito de estufa. O Parlamento Europeu recentemente decidiu “que o acordo Mercosul – União Europeia não pode ser ratificado, pois não garante a proteção da biodiversidade, em especial na Amazônia”.  

As propostas defendidas pelo Brasil na COP26, a exemplo dos programas “ABC - Agricultura de Baixo Carbono, ILPF - Integração Lavoura-Pecuária-Floresta e FBN - Fixação Biológica de Nitrogênio”, são insuficientes para apagar o desprezo com a conservação das florestas, a proteção das populações indígenas e a grilagem. Como disse recentemente um influente formador de opinião: “a cegueira como o meio ambiente é total”.

Manoel Moacir Costa Macêdo, é engenheiro agrônomo

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