Pandemia e Barbárie. (por Antonio Samarone)

Antonio Samarone, 28 de Abril, 2020


A subnotificação dos óbitos da Pandemia no Brasil é visível. A exigência dos resultados dos exames como prova, eleva o número de óbito não identificados. A insuficiência das testagens é grave.

Passamos a utilizar o número de sepultamentos como indicador. Uma cidade onde a média era de 20 sepultamentos por dia, e passaram a enterrar 150, não precisa dizer mais nada. Manaus vai precisar importar caixão de defunto da China.

A Vala Comum e os caminhões frigoríficos nas portas dos hospitais são as mais imagens mais terríveis da Pandemia.

A Peste ataca conquistas do século XX: os velhos, os gordos e a tecnologia médica.

O envelhecimento foi resultado do aumento da vida média no século XX. Obra da queda da mortalidade infantil, do saneamento básico e do surgimento dos antibióticos. A Humanidade nunca teve tantos velhos. Gente acima de 80 anos.

A obesidade resultou da mudança de hábitos alimentares e de sua disponibilidade. Passamos da geografia da fome para a obesidade em poucos anos. O Natal sem fome do Betinho foi um dia desses. A fome no Brasil vinha diminuindo.

A emergência médica, sobretudo as UTIs, mostravam-se eficazes. Um paciente infartado recebia alta em poucos dias. O Covid – 19 desmontou as UTIs, a alta tecnologia médica não enfrenta o vírus.

Ouvi de um colega experiente:

“O Vírus se comporta estranhamente. Surpreende todos os dias. Dá milhares de problemas. Afeta a coagulação, a pele, gera problemas neurológicos, distúrbios hematológicos, ataques cardíacos associados, derrames, mesmo em pacientes jovens e saudáveis.”

A Peste também ressuscitou a morte, que andava ocultada. Não se falava mais na morte. Os esforços do século XX para escondê-la forma desmontados. A morte saiu do armário, e está se apresentando cruel, dolorosa, pública, retomando o seu protagonismo.

Como agravante, falta-nos uma justificativa sobrenatural para a Peste. As religiões mostram-se tementes a morte. Os cultos religiosos foram proibidos. Só o Papa Francisco nos deu algum consolo, pela televisão.

Quando perguntamos o porquê dessa Peste, as religiões ficam acanhadas em apesentarem a sua resposta. Se minha mãe fosse viva, ela não hesitaria: - “são os castigos de Deus. Aliás, merecidos.”

A ciência trata do que é a Peste e de como ela atua. E o porquê, dessa Peste? A ciência oferece explicações genéricas, frias, que se deve a crise ambiental etc.

A ambientalista Greta Thunberg postou uma explicação razoável:

“A pandemia de coronavírus provavelmente será seguida por surtos de doenças ainda mais mortais e destrutivas, a menos que sua causa raiz - a destruição desenfreada do mundo natural - seja rapidamente interrompida, alertaram os principais especialistas em biodiversidade do mundo".

Ela pode até está certa, mas Isso é muito racional, não alivia os sofrimentos, não consola ninguém.

As dificuldades no Brasil acentuaram-se com a saída do Ministério da Saúde. O Ministro Teich reduziu o envolvimento do Governo Federal, com a alegação que faltam dados, para uma ação mais efetiva.

Vou continuar atento e, enquanto puder, isolado. Confiante na misericórdia divina!

Antonio Samarone.

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