Perdi mais um amigo. (por Antonio Samarone).

Antonio Samarone, 09 de Maio, 2021

A Pandemia venceu, levou mais um. Esconjuro-vos, negacionistas de merda!

Conheci o Dr. Antonio Resende logo que cheguei à Aracaju, na década de 1970.

Fui morar na República Cebolinha, frequentada por Resende. Ele, já formado, dentista da Marinha de Guerra e amigo do Dr. Luiz Carlos, médico e fundador da República.

Resende, sempre alegre, cheio de vida, sorridente, gente de primeira qualidade. Amante de bons carros e boas motos. Foi o primeiro playboy que conheci pessoalmente. Sempre bem-vestido, nos trinques.

Resende era de Frei Paulo.

Frequentamos, anos a fio, a eterna pelada do sítio de Jesuíno, na beira da Praia. Resende era um artilheiro talentoso, daqueles que joga pouco, mas faz os gols.

Saímos aos domingos, pela madrugada, com chuva ou sol, para não perdemos a vaga. Era por ordem de chegada. Muitos dormiam na fila da pelada.

Antes da refrega, formávamos uma mesa disputada de dominó. Muito papo furado, blá-blá-blá e conversas inteligentes. Os que envelheciam, iam para o apito. Se aguardava com ansiedade, a confraternização do final de ano.

Resende, sempre prestativo e atencioso. Um sonhador que lutava por seus sonhos.

Quando desarrumar as malas no céu, Resende, procure uma pelada para jogar. Me inscreva com antecedência, não quero ficar na reserva.

Mandar Resende descansar em paz é tempo perdido, ele era um inquieto por vocação.

Você deixou saudades, meu amigo Resende!

Antonio Samarone (médico sanitarista).

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